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6 desafios que as comercializadoras de eletricidade não podem ignorar em 2025

6 desafios que as comercializadoras de eletricidade não podem ignorar em 2025

Jonan Basterra·8 min de leitura

As comercializadoras de eletricidade enfrentam atualmente um grande número de desafios, num novo mercado cada vez mais exigente e em mudança, o que aumenta as oportunidades mas também o risco. Por um lado, a energia em geral e a eletricidade em particular é há muito tempo uma *commodity*, e é muito importante proporcionar valor para além do preço do quilowatt-hora. Por outro lado, o fantasma do churn, a perda de clientes, leva por vezes as comercializadoras a estarem mais preocupadas em conquistar novos clientes do que em manter os que já têm. Se a isto acrescentarmos uma concorrência cada vez maior, um enquadramento regulatório em constante mudança e um mercado volátil, tudo se complica ainda mais.

Vamos analisar de seguida quais são os principais desafios para as comercializadoras de eletricidade na atualidade, e algumas soluções. A tecnologia será sempre uma grande aliada, e a Clevergy também.

1. Concorrência num mercado saturado

Em Espanha há mais de 500 comercializadoras de eletricidade e continuam a surgir novas. Ultimamente é tendência que outras empresas de serviços, como as operadoras de telefonia, ofereçam também eletricidade nas suas ofertas convergentes.

O que fazer para se diferenciar dos restantes? O preço não deve ser a única estratégia para conquistar novos clientes ou mantê-los, e os serviços de valor acrescentado que algumas comercializadoras oferecem acabam por não ser atrativos para os clientes. Segundo o último Inquérito aos Consumidores de Energia da EY, 67% dos consumidores procura soluções energéticas personalizadas e 18% dos consumidores adotaria novos produtos e serviços energéticos se fosse mais fácil comprá-los e instalá-los.

Os consumidores valorizam muito positivamente que a sua comercializadora não lhes ofereça apenas um bom preço, mas os ajude também a poupar. É muito importante oferecer aos consumidores *energy insights* personalizados, como recomendações para reduzir o consumo ou a gestão do autoconsumo, que ajudam a criar uma relação de valor contínuo com eles, aumentando a sua lealdade e diminuindo o churn.

2. Alterações regulatórias

O mercado energético está a viver um momento de grandes mudanças em todo o mundo, causadas principalmente pela transição energética, pela evolução do mercado, pelos avanços tecnológicos e pela volatilidade dos preços. As alterações regulatórias a que as comercializadoras em Espanha têm tido de se adaptar têm sido muito frequentes nos últimos anos. Entre as mais recentes podemos destacar:

No início de 2025 chegará também uma mudança importante, com a chegada das tarifas em blocos de 15 minutos que afeta os contratos PVPC, que até agora têm blocos por hora. Trata-se de uma exigência da União Europeia, que procura baratear a energia para uma tarifa que em Espanha é utilizada por 8,5 milhões de utilizadores.

Este ambiente de mudança constante gera custos adicionais e exige flexibilidade operacional, uma vez que o incumprimento das diferentes normas pode gerar sanções.

As comercializadoras que adotem ferramentas de automação e monitorização em tempo real estarão melhor posicionadas para lidar com estas alterações regulatórias sem afetar negativamente as suas margens.

3. Digitalização e tecnologia

A digitalização tornou-se uma alavanca essencial para competir no mercado energético. Os clientes esperam ter soluções semelhantes às que já utilizam noutros setores, como as telecomunicações ou a banca. No entanto, muitas comercializadoras não dispõem de aplicações para os seus utilizadores, e as opções digitais que oferecem limitam-se a ver o histórico de consumos e faturas. Muitas comercializadoras têm claro que querem dar este passo, mas o custo de desenvolvimento de soluções tecnológicas trava-as na hora de as concretizar.

O desafio é importante: oferecer serviços digitais avançados que se adaptem com facilidade à complexidade do sistema energético e às constantes mudanças.

A digitalização deve servir às comercializadoras para dotar os seus clientes de melhores ferramentas para controlar o seu consumo e geração energética, receber alertas, e otimizar o seu consumo. As aplicações móveis são a melhor solução para este novo prosumidor interessado em poupar e ser mais sustentável. Mas as comercializadoras também precisam de uma ferramenta de gestão que centralize todas as operações com os seus clientes, e permita gerir as ocorrências e comunicações de uma forma mais rápida e eficiente.

4. Comunidades de energia: a evolução do autoconsumo

O autoconsumo e as comunidades de energia já são uma realidade e representam uma mudança muito importante para as comercializadoras. Os consumidores passivos estão a tornar-se prosumidores ativos que não só consomem energia, como também a produzem e juntam esforços para alcançar os benefícios do autoconsumo coletivo. Em 2023 realizaram-se em Espanha mais de 127.000 novas instalações de autoconsumo, das quais 88% foram residenciais (111.795 habitações). Segundo os dados da APPA, Espanha tinha no início de 2024 mais de 400 mil instalações residenciais de autoconsumo, pelo que o número no início de 2025 ultrapassaria as 500 mil. Por outro lado, Espanha conta já com 353 comunidades de energia, com um aumento de 900% face aos dados de 2022.

As comercializadoras que não integrem estes modelos de autoconsumo e geração coletiva ficariam de fora de um mercado em rápida expansão. Os consumidores procuram ainda que as suas comercializadoras os acompanhem no salto para o autoconsumo, em instalações de fotovoltaica, aerotermia e armazenamento, abrindo novas vias de negócio.

As comercializadoras têm de ser capazes de gerir e promover as comunidades de energia, facilitando a integração da energia distribuída, e abrindo a porta a novos modelos de negócio baseados na energia local.

5. Melhorar a relação com o cliente

Os novos prosumidores não querem uma comercializadora que se limite a cobrar-lhes pontualmente no final do mês. Procuram conselhos de poupança, alertas personalizados, e resolução rápida de ocorrências. Melhorar a relação com o cliente implica também dar-lhe ferramentas para que possa aceder à informação de forma clara e simples, reduzindo as consultas ao serviço de apoio ao cliente.

A relação do cliente com as comercializadoras passa a ser mais proativa e menos reativa: não se trata apenas de responder aos seus pedidos, mas de antecipar as suas necessidades com notificações ou alertas personalizáveis caso não estejam a gerir bem o seu autoconsumo, ou o possam otimizar melhor. Tudo isto ajuda as comercializadoras a reduzir o churn, e a melhorar a satisfação do cliente.

6. Volatilidade do preço da energia

O mercado grossista da energia continua a ser muito volátil. As flutuações no preço da eletricidade são influenciadas por fatores como o preço do gás, a variabilidade das fontes renováveis e as tensões geopolíticas, gerando dificuldades para as comercializadoras que oferecem contratos a preço fixo. Atualmente, a crescente importância das renováveis no mix energético faz com que a variação de preço nas diferentes horas do dia seja muito significativa: a eletricidade é muito mais barata nas horas de sol, tanto que representa um risco para a rentabilidade dos ativos fotovoltaicos, o que é comummente conhecido como canibalização da fotovoltaica.

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No modelo de sistema energético anterior, prévio às renováveis, o lucro das comercializadoras estava em vender mais kWh a um preço mais alto. Atualmente as comercializadoras podem obter um maior lucro se conseguirem que os seus clientes consumam mais não nas horas de menor procura, mas nas horas em que o custo da eletricidade é mais barato. Se as comercializadoras ajudarem os seus clientes a consumir nas horas em que o custo da energia é mais barato, conseguem que os seus clientes poupem ao mesmo tempo que os seus custos de compra se reduzem, obtendo maior lucro. Ter uma app como a Clevergy que ajude os consumidores a saber o preço real da energia a cada momento é realmente útil para conseguir isto.

As comercializadoras mais avançadas estão a adotar modelos de tarifação dinâmica, que permitem ajustar os preços em função da flutuação do mercado e mitigar o risco da volatilidade. Isto complementa-se com soluções de flexibilidade da procura, que permitem otimizar o consumo em função dos preços grossistas.

Conclusão

Em 2025 as comercializadoras de eletricidade vão operar num ambiente extremamente competitivo e regulado, onde a digitalização, a descentralização e a gestão da volatilidade do mercado são fatores críticos para o seu sucesso. As que souberem adaptar-se a estas mudanças e oferecerem serviços de valor acrescentado, flexibilidade operacional e uma experiência digital avançada, estarão melhor posicionadas para conquistar uma maior quota de mercado e assegurar a sua rentabilidade nos próximos anos. Manter os clientes deve ser ainda mais importante do que conquistar novos. As comercializadoras têm de acompanhar os seus clientes na sua transição para o autoconsumo, gerando novo negócio, e ter claro que as comunidades de energia são uma excelente oportunidade.

Na Clevergy, continuamos a desenvolver soluções avançadas para ajudar as comercializadoras a enfrentar estes desafios, permitindo-lhes otimizar as suas operações e adaptar-se a um mercado em constante evolução.

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